Sunday, November 25, 2007

BAIXELA GERMAIN & BANQUETES PRESIDÊNCIAIS


Escrevi há pouco tempo no Actual sobre a Baixela da Corte portuguesa, baseando-me em termos gerais numa bela obra de Leonor d’Orey “A Baixela da Coroa Portuguesa” (Edições Inapa, 1990), dizendo a certa altura, de minha lavra e a respeito da mesma, estas inocentes palavras:

“tendo servido aos reis serve ainda hoje aos mais altos magistrados da república para os mesmíssimos desígnios ostentatórios”

Que foste dizer! Passado tempo vejo publicado noutro número do Actual o seguinte texto:

“Relativamente ao artigo “Germain: ourives de Portugal”, publicado no passado dia 20 de Outubro no suplemento do jornal Expresso, gostaríamos de esclarecer alguns aspectos que lamentavelmente não correspondem à verdade.
A Baixela Germain já não é utilizada nos banquetes da Presidência da República há largas décadas e as peças desta mesma baixela, que outrora ornamentavam as mesas e aparadores da Sala da Ceia, foram retiradas na década de 80, atendendo à sua conservação e valorização.
Esta baixela foi objecto de um rigoroso estudo por parte da equipa do Palácio da Ajuda, publicado há 5 anos pelo Instituto Português do Património Arquitectónico. Trata-se de um trabalho que envolveu largos anos de investigação e que vem na sequência da obra da Dra. Leonor d’Orey, publicada há 16 anos, de quem aliás recebemos os mais elogiosos cumprimentos. O estudo do Palácio Nacional da Ajuda pretende dar a conhecer ao público uma renovada perspectiva histórica desta baixela. Desde a concepção das peças em atelier, passando pela sua utilização no cerimonial de Corte, a obra foca ainda a utilização destas peças nos banquetes oficiais no Palácio da Ajuda e apresenta uma tabela técnica que faculta uma visão de conjunto desta aparatosa encomenda régia.
Junto enviamos a referência desta obra, cuja divulgação desde já agradecemos.
GODINHO, Isabel da Silveira (dir. e coord.), A Baixela de Sua Majestade Fidelíssima. Uma Obra de François Thomas Germain, Ministério da Cultura, Instituto Português do Património Arquitectónico, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa 2002.

Que interessante maneira de promover uma publicação!


Ainda há quem se lembre de ver a baixela ao serviço da P. da República em banquetes lá para o fim dos anos oitenta do longíncuo século XX. Não me pesa na consciência o que escrevi!


Seja como for, até acho bem que a baixela esteja, agora, em bom recato. Assim pelo menos não lhe acontece como a algumas jóias da coroa que se foram da Ajuda para não mais voltar.


2 comments:

joão said...

Pois, de facto a "baixela" no que as peças de banquete até está bem servida em bibliografia! O mesmo não se pode dizer das outras peças, nomeadamente os serviços de toucador. Apenas encontrei informaçao sobre elas numa obra francesa e foi com admiração que reparei que as duas salvas douradas com número 75, e portanto integrantes dos primeiros serviços de toucador, se encontram em exposição no Museu Nacional de Arte Antiga como se pertencessem à quarta coberta, dita das sobremesas! Pergunto-me se é desconhecimento das entidades que zelam por esse património ou por conveniência expositiva!

José Norton said...

Não lhe sei responder.
Vou tratar de me informar.