Saturday, December 06, 2008
SÓCRATES E O TRIUNFO
Infelizmente o triunfo do porco é cada vez menos uma antiguidade. Por todos os lados o porco se ergue triunfante: nas autarquias - veja-se o triunfal julgamento de Felgueiras. Na finança - aí temos, trunfante, o exemplar Dias Loureiro - e por aí fora.
Agora leio que vamos ter um triunfo insular.
No seu excelente e didáctico editorial do Expresso, diz Henrique Monteiro: "Parece que para ele (Sócrates) tudo é redutível à luta política independentemente dos danos que (o estatuto das coutadas de César e Jardim) possa causar à sã convivência entre as regiões e o Continente".
Concordo naturalmente, mas pregunto: O que era de esperar ao termos como primeiro ministro alguém que ganhou os seus galões políticos a comandar e orquestrar um acto de desobediência cívica como foi o buzinão? Lembram-se?
O pior é que antes deste também esteve um PM que pouco melhor era que um vulgar "banha da cobra".
Caminhamos, de PS em PSD mais os outros comparsas pequenos, para o triunfo final.
Agora leio que vamos ter um triunfo insular.
No seu excelente e didáctico editorial do Expresso, diz Henrique Monteiro: "Parece que para ele (Sócrates) tudo é redutível à luta política independentemente dos danos que (o estatuto das coutadas de César e Jardim) possa causar à sã convivência entre as regiões e o Continente".
Concordo naturalmente, mas pregunto: O que era de esperar ao termos como primeiro ministro alguém que ganhou os seus galões políticos a comandar e orquestrar um acto de desobediência cívica como foi o buzinão? Lembram-se?
O pior é que antes deste também esteve um PM que pouco melhor era que um vulgar "banha da cobra".
Caminhamos, de PS em PSD mais os outros comparsas pequenos, para o triunfo final.
Monday, November 03, 2008
HÁ LODO NO CAIS ou "ESTERCO EM ALCÂNTARA"?
Vamos hoje até à sétima arte.
Lembram-se de Brando e Elia Kasan e deste filme que tinha a ver com a Máfia das docas?

Muitos de nós nem sempre concordamos com o Miguel Sousa Távares. Mas aquilo em Alcântara cheira mesmo mal. Assim como aquela manifestação expontânea de estivadores contra ele cheira a m de Máfia.
Quando se trata de triunfar o Porco não olha a meios!
Lembram-se de Brando e Elia Kasan e deste filme que tinha a ver com a Máfia das docas?

Muitos de nós nem sempre concordamos com o Miguel Sousa Távares. Mas aquilo em Alcântara cheira mesmo mal. Assim como aquela manifestação expontânea de estivadores contra ele cheira a m de Máfia.
Quando se trata de triunfar o Porco não olha a meios!
Monday, October 27, 2008
OS MERCADOS AFINAL TÊM RAZÃO ou O NOSSO PINÓQUIO
Eles tanto insistem que eu tenho de voltar ao tema dos milagres.
Reparem bem no gráfico:

No momento em que escrevo e apesar de um fim de semana em que o nosso Primeiro Ministro não deixou descansar a sua máquina publicitária inundando de optimismo a nossa comunicação social (sempre empenhada na busca da verdade), a bolsa de valores de Lisboa a exemplo de outras praças europeias e asiáticas cai à volta de 5%.
Reparem bem no gráfico:

No momento em que escrevo e apesar de um fim de semana em que o nosso Primeiro Ministro não deixou descansar a sua máquina publicitária inundando de optimismo a nossa comunicação social (sempre empenhada na busca da verdade), a bolsa de valores de Lisboa a exemplo de outras praças europeias e asiáticas cai à volta de 5%.
Monday, October 20, 2008
SIN(O) SENHOR - Em Coruche um sino de séc. XIII
Click na imagem para aumentar

Muito interessante.
A descoberta de um sino antiquissímo perto de Coruche vai dar direito a um livro também inédito sobre o tema.
Parabéns ao Museu de Coruche

Muito interessante.
A descoberta de um sino antiquissímo perto de Coruche vai dar direito a um livro também inédito sobre o tema.
Parabéns ao Museu de Coruche
Saturday, October 18, 2008
Arquivo Histórico Ultramarino - PARABÉNS


A começar dia 27 deste mês e todas as últimas segundas feiras de cada mês está aberta ao público a Sala Pompeia do Palácio Ega onde funciona o arquivo e sobretudo onde estão os famosos e únicos azulejos holandeses de que falei num dos primeiros posts deste Porco, perdão Triunfo.
O Palácio é na Travessa da Boa Hora na Junqueira. Telefone: 213616330
A Sala em si já é fantástica como podem ver pelas imagens
Friday, October 17, 2008
UM MILAGRE (ECONÓMICO) CHAMADO SÓCRATES
”O Triunfo do Porco” vai hoje, excepcionalmente, deixar a História e as Antiguidades para meter o focinho no presente, dando grunhidos de espanto!
Quem diria que um país governado por ateus, laicos e maçons continua a merecer as bençãos do Céu? Então não é que vamos ter mais regalias e benesses, mais benefícios e redução de impostos e o déficit fica quase na mesma. Mais receitas? Como pode ser se a actividade económica vai abrandar?
Temos que aceitar que é um milagre.
Para nós(?), para o governo - salvo pela crise internacional! - e para os bancos que aos beijos e abraços a esse mesmo governo escapam à tragédia da liquidez.
Afinal, por falar em milagres, sempre lhes deixo uma antiguidade ... um "clássico" do Vilhena.
Quem diria que um país governado por ateus, laicos e maçons continua a merecer as bençãos do Céu? Então não é que vamos ter mais regalias e benesses, mais benefícios e redução de impostos e o déficit fica quase na mesma. Mais receitas? Como pode ser se a actividade económica vai abrandar?
Temos que aceitar que é um milagre.
Para nós(?), para o governo - salvo pela crise internacional! - e para os bancos que aos beijos e abraços a esse mesmo governo escapam à tragédia da liquidez.
Afinal, por falar em milagres, sempre lhes deixo uma antiguidade ... um "clássico" do Vilhena.

Sunday, October 12, 2008
ARTE EFÉMERA 2
Em Março falei aqui de Arte Efémera e na passada publiquei uma foto dos azulejos do Convento de S. Francisco na cidade de S. Salvador da Baía.
Pois imaginem que estive lá ao vivo em Agosto passado, quando do lançamento no Brasil de "O Último Távora" e graças ao meu amigo Laurentino Gomes.
A sensação que nos assalta na parte antiga da Baía é incrível. Parece que estamos no Minho!
Aqui vos deixo uma foto do frontaria do Convento de S. Francisco.

Espectacular!
Aqui há mais fotos
Pois imaginem que estive lá ao vivo em Agosto passado, quando do lançamento no Brasil de "O Último Távora" e graças ao meu amigo Laurentino Gomes.
A sensação que nos assalta na parte antiga da Baía é incrível. Parece que estamos no Minho!
Aqui vos deixo uma foto do frontaria do Convento de S. Francisco.
Espectacular!
Aqui há mais fotos

Wednesday, August 06, 2008
VIMIEIRO - Alentejo (esquecimento) profundo
Não tenho escrito nada neste bolg!
O porco está a triunfar de mim? Não. Tenho andado “paralisado” como expliquei ontem no blog irmão “O Último Távora”. E foi pena não ter escrito porque ultimamente têm-se verificado muitos triunfos do dito reco. Em alguns casos a matéria estravasa do âmbito das artes e da cultura. Mas neste blog também entra a História e a política, onde esses triunfos se têm verificado, a política é como a pescada: é história antes de ser História.
Passei pelo Vimieiro, Alentejo, e resolvi entrar na povoação (que fica ao lado da estrada entre Estremoz e Arraiolos) para ver o palácio dos condes do mesmo nome. Não que me interessem eles particularmente mas sim porque ali viveu Teresa Josefa de Melo Breyner, mulher do 4º conde de Vimieiro.
Quem era? Uma intelectual do século XVIII! Não havia muitas. Como se sabe, não era hábito sequer as mulheres saberem escrever. Mas havia algumas. Teresa Melo Breyner era amiga de Alcipe, futura marquesa de Alorna, e como ela tinha um nome arcádico, Tirze. No palácio do Vimieiro, onde vivia grande parte do ano, havia uma biblioteca onde não fatavam livros de Voltaire e dos enciclopedistas. Era cultíssima. Escrevia bem e versejava melhor. Na sua família houve depois outros que se distinguiram nas letras: marquês de Ficalho, Sofia Melo Breyner e Miguel Sousa Távares. Mas ela foi a primeira, e no século XVIII, “avant la lettre”, uma verdadeira e rara mulher das Luzes.
Merecia naquela terra uma lembrança, uma chamada de atenção, qualquer coisa.
Pois bem, está tão esquecida como o palácio cujo estado actual podem observar nas imagens que junto.
O porco está a triunfar de mim? Não. Tenho andado “paralisado” como expliquei ontem no blog irmão “O Último Távora”. E foi pena não ter escrito porque ultimamente têm-se verificado muitos triunfos do dito reco. Em alguns casos a matéria estravasa do âmbito das artes e da cultura. Mas neste blog também entra a História e a política, onde esses triunfos se têm verificado, a política é como a pescada: é história antes de ser História.
Passei pelo Vimieiro, Alentejo, e resolvi entrar na povoação (que fica ao lado da estrada entre Estremoz e Arraiolos) para ver o palácio dos condes do mesmo nome. Não que me interessem eles particularmente mas sim porque ali viveu Teresa Josefa de Melo Breyner, mulher do 4º conde de Vimieiro.
Quem era? Uma intelectual do século XVIII! Não havia muitas. Como se sabe, não era hábito sequer as mulheres saberem escrever. Mas havia algumas. Teresa Melo Breyner era amiga de Alcipe, futura marquesa de Alorna, e como ela tinha um nome arcádico, Tirze. No palácio do Vimieiro, onde vivia grande parte do ano, havia uma biblioteca onde não fatavam livros de Voltaire e dos enciclopedistas. Era cultíssima. Escrevia bem e versejava melhor. Na sua família houve depois outros que se distinguiram nas letras: marquês de Ficalho, Sofia Melo Breyner e Miguel Sousa Távares. Mas ela foi a primeira, e no século XVIII, “avant la lettre”, uma verdadeira e rara mulher das Luzes.
Merecia naquela terra uma lembrança, uma chamada de atenção, qualquer coisa.
Pois bem, está tão esquecida como o palácio cujo estado actual podem observar nas imagens que junto.
Thursday, March 27, 2008
FREUD e o CÓDIGO DA VINCI
Aqui vai o resumo de um artigo sobre Freud e Da Vinci publicado há uns tempos no Expresso. Tem menos texto mas ficam a ganhar. Aqui podem ver duas fotos e quando foi editado no Actual só arranjaram espaço para uma
“Escrever sobre o abutre parece fazer parte do meu destino, pois que, entre as primeiras recordações que guardo de criança, está a imagem de uma dessas aves ter vindo ao meu berço, abrir a minha boca com a sua cauda e bater repetidamente com ela no interior dos meus lábios”.
Esta obscura frase foi escrita por Leonardo da Vinci como nota à margem de uma página de um dos seus famosos códigos, numa parte dedicada ao vôo dos pássaros.
No dia em que Sigmund Freud leu aquelas palavras ficou fascinado.
Era como se Leonardo estivesse na consulta de psicanálise e lhe falasse de viva voz. E tudo batia certo com a sua ideia de sublimação dos instintos, ficando explicados alguns traços da personalidade do grande mestre e a sua eventual homossexualidade.
O interesse de Freud levou-o a publicar um trabalho de umas dezenas de páginas, agora célebre, intitulado “Uma recordação infantil de Leonardo da Vinci”. E um aluno seu, entusiasmado com as deduções do mestre fez uma descoberta que parecia vir confirmar tudo o que ele dissera. De visita ao Louvre, ao admirar o quadro de Leonardo chamado “Santa Ana, a Virgem e o Menino” distinguiu nitidamente que o manto que envolvia a Virgem era afinal o desenho de um abutre, cuja cauda aflorava os lábios do menino!
Quem sou eu para me pronunciar sobre a teoria da sublimação de Sigmund Freud?
Só posso dizer que a admiro e aceito como boa. Mas no caso de Leonardo, ainda que a teoria lhe possa eventualmente ser aplicada, caiu pela base a história do abutre. É que no texto que Freud leu, tradução em língua alemã do original, o nome do pássaro a que Leonardo se referia estava mal traduzido: não era um abutre mas sim um milhafre. E lá se foi por água abaixo a semelhança com a deusa Mut, e a fecundação “in vento”.
Ou seja ainda que a teoria de Freud sobre a sublimação do instinto sexual seja correcta e possa ser virtualmente aplicada ao genial da Vinci, tudo o resto não passou de especulação. Brilhante, mas especulação.
Não consta que “Uma recordação infantil de Leonardo da Vinci” tenha sido um grande êxito editorial. Mas se algum mega autor se lembra do tema lá vamos ter as livrarias inundadas de Códigos do Abutre, Conspirações do Milhafre e outros títulos semelhantes.

Rodando o quadro para a direita vê-se o que seria um abutre com a cabeça em cima e o rabo junto à
“Escrever sobre o abutre parece fazer parte do meu destino, pois que, entre as primeiras recordações que guardo de criança, está a imagem de uma dessas aves ter vindo ao meu berço, abrir a minha boca com a sua cauda e bater repetidamente com ela no interior dos meus lábios”.
Esta obscura frase foi escrita por Leonardo da Vinci como nota à margem de uma página de um dos seus famosos códigos, numa parte dedicada ao vôo dos pássaros.
No dia em que Sigmund Freud leu aquelas palavras ficou fascinado.
Era como se Leonardo estivesse na consulta de psicanálise e lhe falasse de viva voz. E tudo batia certo com a sua ideia de sublimação dos instintos, ficando explicados alguns traços da personalidade do grande mestre e a sua eventual homossexualidade.
O interesse de Freud levou-o a publicar um trabalho de umas dezenas de páginas, agora célebre, intitulado “Uma recordação infantil de Leonardo da Vinci”. E um aluno seu, entusiasmado com as deduções do mestre fez uma descoberta que parecia vir confirmar tudo o que ele dissera. De visita ao Louvre, ao admirar o quadro de Leonardo chamado “Santa Ana, a Virgem e o Menino” distinguiu nitidamente que o manto que envolvia a Virgem era afinal o desenho de um abutre, cuja cauda aflorava os lábios do menino!
Quem sou eu para me pronunciar sobre a teoria da sublimação de Sigmund Freud?
Só posso dizer que a admiro e aceito como boa. Mas no caso de Leonardo, ainda que a teoria lhe possa eventualmente ser aplicada, caiu pela base a história do abutre. É que no texto que Freud leu, tradução em língua alemã do original, o nome do pássaro a que Leonardo se referia estava mal traduzido: não era um abutre mas sim um milhafre. E lá se foi por água abaixo a semelhança com a deusa Mut, e a fecundação “in vento”.
Ou seja ainda que a teoria de Freud sobre a sublimação do instinto sexual seja correcta e possa ser virtualmente aplicada ao genial da Vinci, tudo o resto não passou de especulação. Brilhante, mas especulação.
Não consta que “Uma recordação infantil de Leonardo da Vinci” tenha sido um grande êxito editorial. Mas se algum mega autor se lembra do tema lá vamos ter as livrarias inundadas de Códigos do Abutre, Conspirações do Milhafre e outros títulos semelhantes.

Rodando o quadro para a direita vê-se o que seria um abutre com a cabeça em cima e o rabo junto à
boca do menino!
Saturday, March 22, 2008
ARTE EFÉMERA
A curta viagem que fiz ao Brasil de 6 a 9 de Março convidado pelo Presidente da República para integrar a comitiva cultural que o acompanhou nas comemorações da chegada da corte portuguesa ao Brasil, inspirou-me o post de hoje com base num artigo que publiquei no Expresso, há meses.
Mais uma vez sobre azulejos! Mas também sobre Brasil e arte efémera.
Eis um resumo do texto:
“Finalmente, se adoptarmos o conceito de arte em sentido lato vamos ainda encontrar uma outra arte efémera: a arte de fachada, para consumo rápido, que num determinado momento serve o poder – de uma pessoa, de uma instituição ou de um partido político - para no dia seguinte deixar de servir e ser destruída.
Os espalhafatosos casamentos que periodicamente algum grande magnate oferece ao público para deleite deste e da comunicação social, podem ser arte efémera. Assim como os carros alegóricos que desfilam pelas ruas em certas datas festivas. E a própria feijoada que há uns anos decorreu na ponte Vasco da Gama, não terá sido uma “instalação”, também efémera, porque comestível?
*
Vaidade, ilusão e utopia. Tudo isso também houve num autêntico festival de arte efémera que decorreu na cidade de Lisboa em Fevereiro de 1729 por altura do casamento de D. José com a princesa espanhola Maria Vitória de Bourbon.”
…
“Que ficou de tanto esplendor?
Podia concluir-se filosoficamente que tudo é efémero. A ponte, onde a princesa desembarcara e o tempo se suspendera às ordens da Fortuna, foi destruída logo nessa mesma noite por um fortíssimo temporal que se levantou no Tejo. Do resto nada ficou … em Portugal.

Mais uma vez sobre azulejos! Mas também sobre Brasil e arte efémera.
Eis um resumo do texto:
“Finalmente, se adoptarmos o conceito de arte em sentido lato vamos ainda encontrar uma outra arte efémera: a arte de fachada, para consumo rápido, que num determinado momento serve o poder – de uma pessoa, de uma instituição ou de um partido político - para no dia seguinte deixar de servir e ser destruída.
Os espalhafatosos casamentos que periodicamente algum grande magnate oferece ao público para deleite deste e da comunicação social, podem ser arte efémera. Assim como os carros alegóricos que desfilam pelas ruas em certas datas festivas. E a própria feijoada que há uns anos decorreu na ponte Vasco da Gama, não terá sido uma “instalação”, também efémera, porque comestível?
*
Vaidade, ilusão e utopia. Tudo isso também houve num autêntico festival de arte efémera que decorreu na cidade de Lisboa em Fevereiro de 1729 por altura do casamento de D. José com a princesa espanhola Maria Vitória de Bourbon.”
…
“Que ficou de tanto esplendor?
Podia concluir-se filosoficamente que tudo é efémero. A ponte, onde a princesa desembarcara e o tempo se suspendera às ordens da Fortuna, foi destruída logo nessa mesma noite por um fortíssimo temporal que se levantou no Tejo. Do resto nada ficou … em Portugal.
(O arco dos Confeiteiros)
As paredes do claustro do convento da Ordem Terceira de S. Francisco, em S. Salvador da Baía no Brasil, estão cobertas por painéis de azulejos representando a chegada da princesa Maria Vitória a Belém e o cortejo atravessando uma Lisboa meio fantasiada mas onde se pode ainda apreciar o esplendor da arte efémera joanina.Afinal tudo se transforma e o que em Lisboa foi efémero “virou” perene no Brasil.”
Sunday, February 03, 2008
A POLÍTICA E O BIDÉ

A política e os politicos portugueses fizeram-me pensar em bidés. Porque será?
Deixo-vos aqui um excerto com comentário final de um artigo que escrevi sobre o venerável objecto, e duas imagens de bidés antigos e raros.

"Chamar-lhe o confidente das damas, é reduzir o utilíssimo objecto à expressão erótica e obscena de que a literatura libertina se apoderou desde que o seu uso foi adoptado e conhecido no século das Luzes, da Filosofia e dos primórdios da medicina moderna na Europa.
Nesse sentido o bidé seria um medianeiro entre a secreta intimidade feminina e a mente daqueles que se compraziam em recreá-la, fantasmagoricamente e sem limites, nas suas cabeças.
Naturalmente os puritanos não gostaram disso e preferiram nem lhe referir o nome, não fosse ele alimentar a lasciva imaginação de quem o ouvisse ou o proferisse. Falavam dele de forma rebuscada e caricata. Havia assim o “móvel de guarda-roupa que montamos quando dele nos queremos servir” ou aquele que “que contém uma bacia sobre a qual nos podemos sentar”. Entendiam eles que o bidé não deveria constar do mobiliário de casa de banho de uma mulher sensata, honesta e mãe de família. Coisa curiosa, para esses era como se o dito objecto fosse usado exclusivamente por mulheres. Assim pensavam ainda os autores do dicionário da Academia Francesa de 1932, associando o bidé apenas à “toillete” feminina".
Comentário:
Claro que o bidé é para todos, mulheres e homens, e até para os políticos lavarem as suas porcarias. Não querem? Pois é. A isto se chama o triunfo dos porcos!
Thursday, January 24, 2008
TIEPOLO & OUTRA NOVIDADE - Millenuim BCP
Voltam as notícias sobre Tiepolo. A Leilorira diz que "descobriu" outro. O Diário de Notícias já adiantou que seria do conjunto inicial dos cinco "comprados pelos Pinto Basto" no início do século XIX". Então, concluem eles muito bem, só pode ser o quadro "Vénus e o Tempo". Se assim for a "descoberta" tem nome o que é estranho para uma descoberta. Já agora deixem-me dizer que no início do século XIX o Sr. José Ferreira Pinto Basto, ainda não tinha Tiepolos e andava ainda a amealhar o que veio a ser uma grande fortuna através do "Contrato do Tabaco".
A outra novidade é que o BCP Millenium deixou de patrocinar as secções do Actual, incluindo as "Antiguidades". Foi pena. Agora espero continuar a aparecer de vez em quando no Expresso mas sem a regularidade com que escrevi durante três anos mais de oitenta! artigos. Por acaso tinha preparado mais um, justamente sobre o "Contrato do Tabaco" e antiguidades relacionadas e aproveitando para brincar com a ASAE. Talvez aqui escreva qualquer coisa.
A outra novidade é que o BCP Millenium deixou de patrocinar as secções do Actual, incluindo as "Antiguidades". Foi pena. Agora espero continuar a aparecer de vez em quando no Expresso mas sem a regularidade com que escrevi durante três anos mais de oitenta! artigos. Por acaso tinha preparado mais um, justamente sobre o "Contrato do Tabaco" e antiguidades relacionadas e aproveitando para brincar com a ASAE. Talvez aqui escreva qualquer coisa.
Sunday, December 30, 2007
O Silêncio dos Azulejos


Volto desta vez a falar sobre azulejos.
A verdade é que me apetecia falar de certo triunfo do(s) porco(s) de que temos recebido nestes últimos dias inúmeras provas. Contudo, para não dizer asneiras fico ainda algum tempo à espera, não vá eu ser enganado pelas primeiras impressões.
Falemos de azulejos.
Temos no património nacional alguns azulejos holandeses do início do século XVIII, extremamente raros. Tão raros quanto desconhecidos.
Foi o que me levou a escrever um artigo que tinha por título “O silêncio dos azulejos” e onde dizia, resumidamente o seguinte:
“Trata-se de azulejos provenientes de Delft na Holanda, que nessa época estava na vanguarda de tal arte, pintados à volta de 1715 por um artista famoso, Cornelis Boumeester. Cada um representa uma cidade europeia de grande importância comercial, naquela época: Londres, Roterdão, Antuérpia, Midelburgo, Hamburgo, Colónia, Veneza e finalmente uma, da qual muitos na Europa de hoje nem querem ouvir falar, Constantinopla.
A verdade é que me apetecia falar de certo triunfo do(s) porco(s) de que temos recebido nestes últimos dias inúmeras provas. Contudo, para não dizer asneiras fico ainda algum tempo à espera, não vá eu ser enganado pelas primeiras impressões.
Falemos de azulejos.
Temos no património nacional alguns azulejos holandeses do início do século XVIII, extremamente raros. Tão raros quanto desconhecidos.
Foi o que me levou a escrever um artigo que tinha por título “O silêncio dos azulejos” e onde dizia, resumidamente o seguinte:
“Trata-se de azulejos provenientes de Delft na Holanda, que nessa época estava na vanguarda de tal arte, pintados à volta de 1715 por um artista famoso, Cornelis Boumeester. Cada um representa uma cidade europeia de grande importância comercial, naquela época: Londres, Roterdão, Antuérpia, Midelburgo, Hamburgo, Colónia, Veneza e finalmente uma, da qual muitos na Europa de hoje nem querem ouvir falar, Constantinopla.
No mundo, em museus, mãos particulares e no palácio de Rambouillet (França) existem não mais de vinte cinco painéis de Boumeester. Nenhum com vistas de cidades como os da Junqueira!
O estudo dos azulejos, excelente, foi feito e publicado pelo especialista e primeiro director do Museu do Azulejo, João Miguel dos Santos Simões (1907-1972), na Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, 2ª série, nº 1, de 1948”.
Dizia então este estudioso:
“Apesar do seu extraordinário valor e interesse passaram quase despercebidos” e “oxalá em breve possamos apreciar os azulejos no seu ambiente dignificado” porque o palácio possui “um recheio documental único no País e no Mundo”.
Desde então ficou tudo na mesma e os azulejos continuam mais conhecidos na Holanda do que em Portugal.
O Arquivo Histórico Ultramarino (instalado no edifício em que se encontram os azulejos) e o Instituto de Investigação Científica Tropical que o engloba, fazem os impossíveis para preservar este tesouro e ultimamente têm-se empenhado na sua divulgação. Contudo nada podem fazer contra o facto de o palácio sufocar entre um hospital que cresceu pelos seus jardins e uns barracões com tecto de zinco encostados ao lado Norte.
Só neste país de estádios e outras obras faraónicas, que antigamente por muito menos se chamavam “de fachada”, é possível deixar aquele tesouro embrulhado em papel selado, ofícios, pareceres e rubricas orçamentais, enfim, entregue à indiferença oficial.
O estudo dos azulejos, excelente, foi feito e publicado pelo especialista e primeiro director do Museu do Azulejo, João Miguel dos Santos Simões (1907-1972), na Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, 2ª série, nº 1, de 1948”.
Dizia então este estudioso:
“Apesar do seu extraordinário valor e interesse passaram quase despercebidos” e “oxalá em breve possamos apreciar os azulejos no seu ambiente dignificado” porque o palácio possui “um recheio documental único no País e no Mundo”.
Desde então ficou tudo na mesma e os azulejos continuam mais conhecidos na Holanda do que em Portugal.
O Arquivo Histórico Ultramarino (instalado no edifício em que se encontram os azulejos) e o Instituto de Investigação Científica Tropical que o engloba, fazem os impossíveis para preservar este tesouro e ultimamente têm-se empenhado na sua divulgação. Contudo nada podem fazer contra o facto de o palácio sufocar entre um hospital que cresceu pelos seus jardins e uns barracões com tecto de zinco encostados ao lado Norte.
Só neste país de estádios e outras obras faraónicas, que antigamente por muito menos se chamavam “de fachada”, é possível deixar aquele tesouro embrulhado em papel selado, ofícios, pareceres e rubricas orçamentais, enfim, entregue à indiferença oficial.
Tuesday, December 11, 2007
A Marquesa de Távora em Azulejos?
É obviamente uma especulação. Mas talvez achem graça ao que escrevi sobre o assunto com base nos painéis que perteram ao Palácio Galveias (ex- Távora):
"Voltemos agora ao palácio antigo que os Galveias sempre mantiveram no Alentejo. Estão os jardins decorados com vários painéis de azulejos e todos merecem o interesse dos apreciadores. Mas há três em particular que chamam necessariamente a atenção não só pela boa arte mas sobretudo pela sua originalidade. No centro de cada um deles, uma figura feminina de grande beleza e distinção, com os traços fisionómicos reproduzidos com uma tal fidelidade, que permite concluir tratar-se sempre da mesma pessoa. E mais do que isso, atrevo-me a pensar que se está perante retratos da própria marquesa de Távora. Alvitre arriscado, especulação, dirá o leitor.
Vamos à argumentação. Em primeiro lugar os painéis estavam originalmente no palácio do Campo Pequeno. Não querendo separar-se dos lindos azulejos setecentistas quando vendeu a propriedade de Lisboa, a família Galveias arrancou-os cuidadosamente recolocando-os nos jardins da casa alentejana.
Por seu lado o estilo sugere-nos uma datação dos meados do século XVIII altura em que os Távoras voltaram da Índia.
Vão os leitores comparando o retrato miniatura que nestas páginas se reproduz com a figura dos azulejos: o nariz, a testa, os olhos, os cabelos anelados caindo sobre os ombros, tudo se assemelha. E a mesma altivez, quase arrogante, temperada por uma grande beleza.
E digam-me, finalmente, se não são aqueles painéis um desagravo ao desprezo que lhes votou o rei D. José? Trata-se sem dúvida da exaltação da família e dos seus feitos, a contrapor-se ao silêncio a que os queriam remeter. Lá vemos uma alegoria à defesa de Goa, com a marquesa sentada sobre uma peça de artilharia e segurando na mão uma granada a que um pequeno anjo acaba de pegar fogo. No outro painel exalta-se a sua viagem pelos Oceanos, surgindo ela com o tridente de Neptuno a cavalgar um golfinho, animal que também surge representado no brasão dos Távoras.
Temos por fim o painel em que D. Leonor, num trono de nuvens, afaga um pavão, que sugere beleza e até vaidade, mas que é acima de tudo símbolo da imortalidade.
Pobre marquesa. Conseguiu que o seu nome continuasse a ser falado, como ainda agora acabámos de fazer, mas a eternidade chegou para ela mais cedo do que esperava, quando a lâmina do carrasco lhe separou a cabeça dos belos ombros que apreciamos nos retratos.
Tinham-lhe ensinado na Índia que o “13” era favorável e decidiu enfeitar a cara com moscas representando esse número. Acabou por lhe ser fatal."
Vamos à argumentação. Em primeiro lugar os painéis estavam originalmente no palácio do Campo Pequeno. Não querendo separar-se dos lindos azulejos setecentistas quando vendeu a propriedade de Lisboa, a família Galveias arrancou-os cuidadosamente recolocando-os nos jardins da casa alentejana.
Por seu lado o estilo sugere-nos uma datação dos meados do século XVIII altura em que os Távoras voltaram da Índia.
Vão os leitores comparando o retrato miniatura que nestas páginas se reproduz com a figura dos azulejos: o nariz, a testa, os olhos, os cabelos anelados caindo sobre os ombros, tudo se assemelha. E a mesma altivez, quase arrogante, temperada por uma grande beleza.
E digam-me, finalmente, se não são aqueles painéis um desagravo ao desprezo que lhes votou o rei D. José? Trata-se sem dúvida da exaltação da família e dos seus feitos, a contrapor-se ao silêncio a que os queriam remeter. Lá vemos uma alegoria à defesa de Goa, com a marquesa sentada sobre uma peça de artilharia e segurando na mão uma granada a que um pequeno anjo acaba de pegar fogo. No outro painel exalta-se a sua viagem pelos Oceanos, surgindo ela com o tridente de Neptuno a cavalgar um golfinho, animal que também surge representado no brasão dos Távoras.
Temos por fim o painel em que D. Leonor, num trono de nuvens, afaga um pavão, que sugere beleza e até vaidade, mas que é acima de tudo símbolo da imortalidade.
Pobre marquesa. Conseguiu que o seu nome continuasse a ser falado, como ainda agora acabámos de fazer, mas a eternidade chegou para ela mais cedo do que esperava, quando a lâmina do carrasco lhe separou a cabeça dos belos ombros que apreciamos nos retratos.
Tinham-lhe ensinado na Índia que o “13” era favorável e decidiu enfeitar a cara com moscas representando esse número. Acabou por lhe ser fatal."
Wednesday, December 05, 2007
O RELÓGIO DE JUNOT

Há duzentos anos já o general Junot estva instalado em Lisboa havia alguns dias quem sabe se já no palácio Quintela na Rua do Alecrim. Tinha trazido com ele um belo relógio que me inspirou para um artigo no Actual do Expresso sob o título: "Cá se fazem, cá se pagam"
Tratava-se de uma belíssima máquina de duas faces, de mostrador principal em ouro decorado em “guiloché”, com horas minutos e segundos e indicador de corda e o reverso em platina com indicação de meses à volta e mostradores secundários para dias da semana, dias do mês e fases da lua. Junot tinha-o comprado em 24 de Agosto, pouco antes de avançar com o seu exército sobre Portugal, ao fabricante Breguet um mestre suíço com atelier no Quai de l’Horloge na ilha de la Cité em Paris (Abraham-Louis Breguet, 1747-1823).
Esse relógio encontra-se presentemente em Portugal no museu da Fundação Medeiros de Almeida.
Conto o resto da história quando forem os duzentos anos da Convenção de Sintra.
Friday, November 30, 2007
SÓ TIEPOLO ÉRAMOS CINCO


Ainda que o Estado (ou seja, nós) pudesse ter gasto menos dinheiro, a saga do Tiepolo acabou por satisfazer a todos. Sobretudo à casa leiloeira cuja intervenção poderia ter sido dispensada, se as partes tivessem chegado a um acordo, anteriormente ao desencadear da tempestade mediática.
“O Enterro do Senhor” irá para o Museu das Janelas Verdes onde todos o poderemos apreciar. E merece.
Vejam só o que disse o grande especialista Andrew Robinson, da National Gallery of Art de Washington sobre o “remarkable Tiepolo”:
“Truly, for me that is one of is most intensely moving works ….. I personally think of it as a kind of deeply personal testament by the painter at the end of his life”
Aqui lhes deixo as imagens de dois dos outros quadros que pertenceram à mesma colecção Pinto Basto, o que foi doado ao Museu de Arte Antiga nos anos quarenta e aquele que agora se encontra em Stutgart.
Se calhar no fim de contas, ainda vou escrever sobre este, agora famoso, conjunto que foi só e mais nada de cinco obras de Tiepolo. Meteu-se-me na cabeça que hei de saber como cá vieram parar os quadros. Vamos ver o que consigo encontrar.
“O Enterro do Senhor” irá para o Museu das Janelas Verdes onde todos o poderemos apreciar. E merece.
Vejam só o que disse o grande especialista Andrew Robinson, da National Gallery of Art de Washington sobre o “remarkable Tiepolo”:
“Truly, for me that is one of is most intensely moving works ….. I personally think of it as a kind of deeply personal testament by the painter at the end of his life”
Aqui lhes deixo as imagens de dois dos outros quadros que pertenceram à mesma colecção Pinto Basto, o que foi doado ao Museu de Arte Antiga nos anos quarenta e aquele que agora se encontra em Stutgart.
Se calhar no fim de contas, ainda vou escrever sobre este, agora famoso, conjunto que foi só e mais nada de cinco obras de Tiepolo. Meteu-se-me na cabeça que hei de saber como cá vieram parar os quadros. Vamos ver o que consigo encontrar.
Sunday, November 25, 2007
BAIXELA GERMAIN & BANQUETES PRESIDÊNCIAIS
Escrevi há pouco tempo no Actual sobre a Baixela da Corte portuguesa, baseando-me em termos gerais numa bela obra de Leonor d’Orey “A Baixela da Coroa Portuguesa” (Edições Inapa, 1990), dizendo a certa altura, de minha lavra e a respeito da mesma, estas inocentes palavras:
“tendo servido aos reis serve ainda hoje aos mais altos magistrados da república para os mesmíssimos desígnios ostentatórios”
Que foste dizer! Passado tempo vejo publicado noutro número do Actual o seguinte texto:
“Relativamente ao artigo “Germain: ourives de Portugal”, publicado no passado dia 20 de Outubro no suplemento do jornal Expresso, gostaríamos de esclarecer alguns aspectos que lamentavelmente não correspondem à verdade.
A Baixela Germain já não é utilizada nos banquetes da Presidência da República há largas décadas e as peças desta mesma baixela, que outrora ornamentavam as mesas e aparadores da Sala da Ceia, foram retiradas na década de 80, atendendo à sua conservação e valorização.
Esta baixela foi objecto de um rigoroso estudo por parte da equipa do Palácio da Ajuda, publicado há 5 anos pelo Instituto Português do Património Arquitectónico. Trata-se de um trabalho que envolveu largos anos de investigação e que vem na sequência da obra da Dra. Leonor d’Orey, publicada há 16 anos, de quem aliás recebemos os mais elogiosos cumprimentos. O estudo do Palácio Nacional da Ajuda pretende dar a conhecer ao público uma renovada perspectiva histórica desta baixela. Desde a concepção das peças em atelier, passando pela sua utilização no cerimonial de Corte, a obra foca ainda a utilização destas peças nos banquetes oficiais no Palácio da Ajuda e apresenta uma tabela técnica que faculta uma visão de conjunto desta aparatosa encomenda régia.
Junto enviamos a referência desta obra, cuja divulgação desde já agradecemos.
GODINHO, Isabel da Silveira (dir. e coord.), A Baixela de Sua Majestade Fidelíssima. Uma Obra de François Thomas Germain, Ministério da Cultura, Instituto Português do Património Arquitectónico, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa 2002.
Que interessante maneira de promover uma publicação!
“tendo servido aos reis serve ainda hoje aos mais altos magistrados da república para os mesmíssimos desígnios ostentatórios”
Que foste dizer! Passado tempo vejo publicado noutro número do Actual o seguinte texto:
“Relativamente ao artigo “Germain: ourives de Portugal”, publicado no passado dia 20 de Outubro no suplemento do jornal Expresso, gostaríamos de esclarecer alguns aspectos que lamentavelmente não correspondem à verdade.
A Baixela Germain já não é utilizada nos banquetes da Presidência da República há largas décadas e as peças desta mesma baixela, que outrora ornamentavam as mesas e aparadores da Sala da Ceia, foram retiradas na década de 80, atendendo à sua conservação e valorização.
Esta baixela foi objecto de um rigoroso estudo por parte da equipa do Palácio da Ajuda, publicado há 5 anos pelo Instituto Português do Património Arquitectónico. Trata-se de um trabalho que envolveu largos anos de investigação e que vem na sequência da obra da Dra. Leonor d’Orey, publicada há 16 anos, de quem aliás recebemos os mais elogiosos cumprimentos. O estudo do Palácio Nacional da Ajuda pretende dar a conhecer ao público uma renovada perspectiva histórica desta baixela. Desde a concepção das peças em atelier, passando pela sua utilização no cerimonial de Corte, a obra foca ainda a utilização destas peças nos banquetes oficiais no Palácio da Ajuda e apresenta uma tabela técnica que faculta uma visão de conjunto desta aparatosa encomenda régia.
Junto enviamos a referência desta obra, cuja divulgação desde já agradecemos.
GODINHO, Isabel da Silveira (dir. e coord.), A Baixela de Sua Majestade Fidelíssima. Uma Obra de François Thomas Germain, Ministério da Cultura, Instituto Português do Património Arquitectónico, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa 2002.
Que interessante maneira de promover uma publicação!
Ainda há quem se lembre de ver a baixela ao serviço da P. da República em banquetes lá para o fim dos anos oitenta do longíncuo século XX. Não me pesa na consciência o que escrevi!
Seja como for, até acho bem que a baixela esteja, agora, em bom recato. Assim pelo menos não lhe acontece como a algumas jóias da coroa que se foram da Ajuda para não mais voltar.
Thursday, November 15, 2007
TIEPOLO - O ARTIGO QUE NÃO ESCREVI!
Ainda agora comecei o Blog e já vou dar o dito por não dito!
É que hoje vou falar aqui num artigo que não escrevi.
Rapidamente a história.
Uma pessoa amiga tinha (ou continuará a ter) um quadro de Tiepolo, grande pintor italiano do século XVIII, uma raridade. Conheço mais ou menos a história deste, que é a mesma de outros dois (quais dois, afinal eram cinco!) que já existiram em Portugal. Dei-lhe conta da minha intenção de fazer um artigo sobre o tema. Vi o quadro, fotografei-o mas pediram-me para não fazer o artigo por razões que na altura me explicaram. Cumpri e esperei melhor oportunidade.
Agora o quadro vai a leilão em Lisboa e eu, qual marido enganado, fui o último a saber.
É que hoje vou falar aqui num artigo que não escrevi.
Rapidamente a história.
Uma pessoa amiga tinha (ou continuará a ter) um quadro de Tiepolo, grande pintor italiano do século XVIII, uma raridade. Conheço mais ou menos a história deste, que é a mesma de outros dois (quais dois, afinal eram cinco!) que já existiram em Portugal. Dei-lhe conta da minha intenção de fazer um artigo sobre o tema. Vi o quadro, fotografei-o mas pediram-me para não fazer o artigo por razões que na altura me explicaram. Cumpri e esperei melhor oportunidade.
Agora o quadro vai a leilão em Lisboa e eu, qual marido enganado, fui o último a saber.
Paciência. A amizade, se verdadeira, aguenta tudo. Vamos continuar amigos.
Mas hei de ser o primeiro publicar a imagem, a não ser que o catálogo da leiloeira já esteja pronto e distribuído.
Apreciem as cores do grande Tiepolo!
Mas hei de ser o primeiro publicar a imagem, a não ser que o catálogo da leiloeira já esteja pronto e distribuído.
Apreciem as cores do grande Tiepolo!
Monday, November 12, 2007
O TRIUNFO DO PORCO
O artigo cujos extractos aqui publico foi escrito perto das eleições autarquicas de 2005 (6?), e era dedicado a alguns dos candidatos que, obviamente, ganharam!
“E o colesterol?” perguntam alguns.
Se pudesse falar, o porco responderia que ninguém nos manda cometer excessos, sobretudo quando já não temos idade para isso. Mas diria mais, que do seu pâncreas vem a insulina que ajuda os diabéticos a viver, do seu fígado vêm as células que ajudam a purificar o sangue daqueles que têm a vida presa de um transplante, da sua pele os tecidos que ajudam a recuperar os que foram atingidos pelo fogo, do seu coração as válvulas que permitem a outros corações continuar a bater. Isto é verdade porque sob muitos aspectos fisiológicos o homem é muito parecido com o porco. Diz um ditado que se “queres conhecer o teu corpo, abre e desmancha o teu porco”.
O porco vive para comer - diz-se com desdém. Muitos de nós também, digo eu. Além de que ele, tal como nós, come de tudo: carne, peixe, fruta, legumes ou cereais. Numa palavra, é omnívoro. Só que come para morrer, ou melhor, para ser morto. E aí vem o pior da história. Querem os comunitários ditadores que morra de forma industrial, ascética, inodora e insonora. E nunca mais daquela forma ritual, solidária e familiar, que são os humildes atributos da tradicional matança.
Coitado do porco.
Só a cultura, tanto a erudita como a popular (a autêntica, não a pimba, naturalmente) lhe dá o devido valor.
Se pudesse falar, o porco responderia que ninguém nos manda cometer excessos, sobretudo quando já não temos idade para isso. Mas diria mais, que do seu pâncreas vem a insulina que ajuda os diabéticos a viver, do seu fígado vêm as células que ajudam a purificar o sangue daqueles que têm a vida presa de um transplante, da sua pele os tecidos que ajudam a recuperar os que foram atingidos pelo fogo, do seu coração as válvulas que permitem a outros corações continuar a bater. Isto é verdade porque sob muitos aspectos fisiológicos o homem é muito parecido com o porco. Diz um ditado que se “queres conhecer o teu corpo, abre e desmancha o teu porco”.
O porco vive para comer - diz-se com desdém. Muitos de nós também, digo eu. Além de que ele, tal como nós, come de tudo: carne, peixe, fruta, legumes ou cereais. Numa palavra, é omnívoro. Só que come para morrer, ou melhor, para ser morto. E aí vem o pior da história. Querem os comunitários ditadores que morra de forma industrial, ascética, inodora e insonora. E nunca mais daquela forma ritual, solidária e familiar, que são os humildes atributos da tradicional matança.
Coitado do porco.
Só a cultura, tanto a erudita como a popular (a autêntica, não a pimba, naturalmente) lhe dá o devido valor.
... ...
É o merecido, legítimo e reconfortante triunfo do porco.
Não o passageiro triunfo dos vaidosos e hipócritas suínos com que Orwell pôs a nu a ingenuidade de Marx e dos seus utópicos companheiros.
Nem tão pouco - ambivalências da política - os possíveis e lamentáveis triunfos a que, em alguns casos, vamos assistir nestes próximos dias.
Não o passageiro triunfo dos vaidosos e hipócritas suínos com que Orwell pôs a nu a ingenuidade de Marx e dos seus utópicos companheiros.
Nem tão pouco - ambivalências da política - os possíveis e lamentáveis triunfos a que, em alguns casos, vamos assistir nestes próximos dias.
APRESENTAÇÃO
Este blog foi iniciado (?) quando escrevi para o Actual do Expresso um texto com o título “O Triunfo do Porco”. Isso foi já há muito tempo e logo depois de iniciado parou, como muitas coisas em Portugal, mas não por falta de verba, mas sim de imaginação.
Desta vez vai.
Escrevo todos os meses para o Expresso, sobre antiguidades, História, histórias de antiguidades e para terminar com uma boa redundância, antiguidades da História.
Enfim, textos de divulgação, leves e por vezes curiosos. Tento não divulgar asneiras, o que nem sempre consigo.
Aqui publicarei de cada vez um resumo ou uma ou mais partes de cada artigo, começando pelos mais antigos, juntamente com uma ou mais fotografias.
Quando me der na gana falarei de outras coisas.
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